2ND ENERGY AND WATER INNOVATION & TECHNOLOGY TRADE SHOW

25 → 26 SETEMBRO 2024 . EXPONOR . FEIRA INTERNACIONAL DO PORTO

Pedro Lima

CEO da SolarShop

“O que nos tornou líderes de mercado foi (…) apenas trabalharmos com marcas de qualidade comprovada”

Segundo Pedro Lima, CEO da SolarShop, “será muito difícil a substituição da energia fóssil nos processos industriais a médio prazo”. Em entrevista, falámos o setor, os desafios atuais, as metas para o futuro e como a SolarShop se tornou uma das empresas líderes no mercado português de energia solar.

Gostaríamos de começar por conhecer a sua opinião sobre os fundos europeus New Generation. Considera que estão a ajudar a promover os investimentos em energia solar no setor residencial nacional?
Pedro Lima (PL): Sim, sem qualquer tipo de dúvida, que os fundos europeus estão a acelerar o ritmo de crescimento do número de sistemas solares em ambiente residencial. Todavia, ao mesmo tempo está a criar um desperdício gigante de fundos, pois distorcem completamente a realidade e necessidades do mercado, mas vamos por pontos: 
1. Ao ser financiado, os utilizadores finais acabam por instalar, geralmente, sistemas de muito maior capacidade do que realmente necessitam, não promovendo assim, um uso racional de recursos. 
2. Geram muita variabilidade na procura, e danos imensos aos instaladores do ramo residencial. Como os apoios possuem janelas temporais definidas, existem muitos meses com equipas paradas, havendo mesmo encerramento de empresas instaladoras, seguidos de alguns meses incessantes e extremamente cansativos para os instaladores, prejudicando mesmo a qualidade da instalação. Ao mesmo tempo, gera variações gigantes de preços: em períodos não subsidiados, para sobrevivência e conseguirem ter as equipas com algum trabalho, são praticados preços muito baixos, próximos do preço de custo. Em períodos subsidiados, os preços são exagerados, porque a procura de instalações é maior do que a capacidade de instalação. 
3. Por último, é muito importante lembrarmo nos, de que todos os fundos estatais ou europeus, têm origem em impostos aos contribuintes, ou em forma de inflação, nada é “grátis”. A indústria solar europeia é praticamente inexistente, Mais de 90% dos módulos fotovoltaicos e inversores, são oriundos da Ásia, especialmente da China, ou seja, nós, contribuintes europeus, estamos a financiar indiretamente a China e a sua indústria. A nosso ver, isto é extremamente preocupante. Os governantes querem pôr um ponto final na dependência dos países exportadores de petróleo e gás natural, mas estamos a tornar-nos extremamente dependentes de um único país, num período de extrema tensão geopolítica a nível mundial.
Seria muito mais produtivo, especialmente a longo prazo, não existirem estes subsídios à instalação, mas sim, incentivos à criação de uma indústria solar europeia, a nível de alívio ou incentivos fiscais, como a redução de burocracia e entraves, que são transversais a todas as empresas em Portugal e UE. Gerava-se valor, riqueza, know-how tecnológico e empregos, que são urgentemente necessários para a Europa. A SolarShop é beneficiada com este aumento (subsidiado de vendas), mas a nível pessoal, estamos preocupados, e preferíamos vender menos, mas ver a indústria europeia renascer, isto sim, seria sustentável no futuro.  O custo dos materiais baixou imenso nos últimos seis anos, pelo que a existência destes apoios diretos não tem qualquer sentido, o tempo de retorno de investimento não subsidiado já é extremamente reduzido. 

Relativamente à necessidade da transição energética, acha que a energia solar pode substituir as energias fósseis no setor industrial?
PL: Será muito difícil a substituição da energia fóssil nos processos industriais a médio prazo. Energia solar, eólica e hídrica são intermitentes, pelo que nos próximos anos, serão apenas uma (grande ajuda). A longo prazo, com a evolução e quebra de preço das tecnologias de armazenamento de eletricidade, talvez seja possível, mas para tudo correr bem, é preciso termos calma, e fazermos este processo de uma forma pensada e calculada. As alterações necessárias são gigantes, e vão desde o padrão de consumo, passando pela evolução da tecnologia, e mais importante, uma mudança profunda na rede de transporte e distribuição de eletricidade.

O Estado também tem um papel importante na mudança. Na sua opinião, as administrações públicas portuguesas, que apoiam e divulgam a mudança para energias limpas, estão a dar o exemplo nas suas instalações?
PL: Sim, de facto o Estado tem apostado em energia solar em todos os concursos públicos de reconstrução ou edificação de novos edifícios públicos. Para além de um exemplo, o mais importante é que, de facto, leva a uma poupança nos gastos e poupanças em eletricidade. Isto é poupança do dinheiro dos contribuintes.  Mas os resultados de poupança mesmo que sejam divulgados publicamente, não se comparam a ouvir o vizinho do lado dizer que está a poupar 50% na fatura, desde que “meteu painéis” . Este tipo de experiência real, de famílias, é o melhor exemplo, e desmistifica a aparente complexidade desta tecnologia, gerando familiarização. 

Olhemos agora para a SolarShop. Quais os principais desafios atuais e que metas têm para o futuro?
PL: Os nossos principais desafios são o de manter a nossa qualidade de serviço, dado o crescimento que conseguimos nos últimos quatro anos, e para tal temos aumentado a nossa equipa interna, contando com 30 colaboradores, para que nunca se perca uma das premissas, que nos trouxeram até aqui, ou seja, o de total disponibilidade e compromisso com todos os nossos clientes.  Contudo temos um extremo orgulho em toda nossa equipa e é um prazer estar lado a lado com eles em todas as nossas “batalhas”.  As nossas metas são, manter os princípios da empresa, ainda que isso possa limitar o nosso crescimento, cimentar a SolarShop como principal distribuidor nacional de material fotovoltaico. Queremos também estar na frente do crescimento rápido dos sistemas de storage (acumulação) 

Partilhar casos de sucesso é muito importante para nós. Como é que a SolarShop se tornou uma das empresas líderes no mercado português de energia solar?
PL: A SolarShop inicia o seu percurso há 12 anos, inicialmente como empresa instaladora, especializando-se em instalações de nicho, mas tecnicamente exigentes: Off-grid e bombagem solar. Dois anos após a criação da empresa, fomos pioneiros, e criamos a nossa loja online SolarShop, que rapidamente se tornou um sinónimo de produtos inovadores e de qualidade. Essa boa imagem, fez com que lentamente, fossemos contactados por instaladores, começando assim, a nossa atividade de revenda.  Com a continuidade e aumento da procura por parte do cliente instalador, tanto dos artigos para as instalações, como do nosso suporte técnico em 2018, decidimos focar-nos apenas na rede de distribuição e parar com a divisão de instalações, uma vez que é injusto o que muito empresas do setor fazem, sendo concorrentes dos próprios clientes e como é lógico com melhores preços do que as demais empresas.  O que nos tornou líderes de mercado foi, primeiramente, apenas trabalharmos com marcas de qualidade comprovada, que passem todos os testes a que são sujeitas no nosso armazém, nunca vamos à venda fácil, ao preço pelo preço, mas sim à qualidade e essa tem de ser paga; em segundo, o nosso percurso enquanto instaladores, fez com que entendêssemos perfeitamente os problemas dos demais, tais como apoio técnico pré e pós venda, respostas céleres em caso RMA e, para tal, nós criámos um gabinete técnico com seis engenheiros prontos tanto para dimensionar, bem como comissionar e resolver qualquer problema que surja ao nosso cliente no decorrer ou à posteriori em qualquer instalação; por fim, outro grande problema são os transportes, e nós tentemos sempre servir os nosso clientes, entre 24 e 48h com a melhor qualidade de embalamento de todo o setor na Península Ibérica. 

A SolarShop fez uma grande aposta na ENERH2O 2023. Que objetivos definiram para a feira?
PL: Primeiramente, a nossa aposta desde o início, foi ajudar a promover uma feira nacional dedicada, tanto a energias renováveis e rega, pois em Portugal defende-se muito o que vem e o que se faz fora e dá-se pouca credibilidade e relevância ao que se desenvolve no nosso país, e na SolarShop tentamos traçar esse caminho de forma distinta, o que nos levou a ser não só o primeiro, mas o maior stand da feira.  Os nossos objetivos são não só o de dar a conhecer a SolarShop a mais empresas, mas também de cimentar as relações com todos os nossos clientes e parceiros, pois o difícil nas relações comerciais não é iniciar, mas sim ir mantendo a mesma ao longo dos anos, e fomentar a ideia de que a SolarShop mais do que uma empresa é um parceiro e uma extensão das suas próprias empresas. 

Há uma grande expetativa sobre as inovações que serão apresentadas. Quais os principais desenvolvimentos que a SolarShop leva à ENERH2O 2023?
PL: As inovações que iremos apresentar serão módulos com tecnologia Back Contact, ou seja, ao invés de os contactos entre células serem frontais, os mesmos estão nas “costas” dos módulos, melhorando a eficiência e diminuindo o gradiente de calor nos mesmos, enquanto se tornam muito mais apelativos a nível estético.  Por outro lado, iremos também mostrar as últimas novidades de todos os fabricantes de qualidade, que representamos em Portugal, que são Módulos: Longi, DMEGC, Aiko; Inversores: Fox, Solplanet, SMA, Studer; Baterias: Weco, Cegasa; e Estruturas: Aerocompact e Sunfer.